A Pesquisa, o Mercado, a’s ICT’s e o ROI
Nos últimos 10 anos venho vivenciando aspectos relacionados a pesquisa, universidade, criação de empresas {empreendedorismo}, mercado de trabalho e investimentos em geral. Tenho notado que problemas reais não são resolvidos dentro das ICT’s aqui no BR. Para elucidar alguns problemas lhes apresento 3 fatos:
Fato 1: Ano passado rolou uma reunião de Conselho do CNPq afim de consultar os principais pesquisadores do país se os próximos editais (estes que sairão em 2011) deveriam ser direcionados para (i) convênios de pesquisa entre empresa + universidade ou (ii) pesquisa básica feito apenas por universidade. Pasmem que 60% dos presentes optaram pela alternativa (ii), alegando que pesquisa deve ser feita na universidade apenas e por si só.
Fato 2: Tempos atrás fui convidado para dar uma palestra sobre visão de inovação & empreendedorismo para uma grande empresa do setor de construção civil. Dentre tudo que rolou por lá, os diretores ficaram impressionados como a universidade {desde sempre} não está preocupado com os problemas reais que o mercado, efetivamente, possui. Eles necessitam resolver diversos problemas, querem fazer pesquisa aplicada, já passaram por diversas universidades renomadas do BR e deram com a cara na porta {acreditem: em muitas se você falar de parceria com empresa dentro da universidade dá praticamente um processo administrativo contra vossa pessoa – vide discussão desta semana que esta acontecendo na SBC {Sociedade Brasileira de Computação} a respeito}.
Fato 3: Mês passado participei do lançamento do Parque Tecnológico de Sorocaba com palestras sobre financiamento {público e privado}. No auditório tinham por volta de 150 executivos de Sorocaba e região e apenas 3 conheciam a Lei do Bem de incentivo a inovação e/ou formas de financiamento para projetos de pesquisa em conjunto com ICTs.
Posto isso, pode-se notar que as empresas {aos poucos e em passo de formiga} estão mudando a cultura, se envolvendo, se transformando e começando a pensar em open innovation com participação de universidade. Porem, por outro lado, as ICTs ainda se fecham, possuem leis extremamente burocráticas para atrair as empresas, pensamento retrógrado e, efetivamente, não estão interessados em resolverem problemas reais. Noto que, via de regra, os problemas resolvidos dentro da universidade são “imaginados” e “pensados” apenas na cabeça dos orientadores visando sua maximização na geração de números, i.e. papers, e conforto para com o cargo. Sendo assim, existe uma necessidade da universidade começar a mudar a cultura internamente visando facilitar tal aproximação com a indústria {mesmo sabendo que em universidades mais antigas este processo ainda é quase que inexistente e continuará por muito tempo sem sair do lugar}.
Da mesma forma prega-se que deveria existir um “Centro de Transferência de Tecnologia” {e não fundação!!} dentro das universidades para que possa aproximar as pesquisas realizadas do mercado visando auxiliar no processo de licenciamento da tecnologia produzida na ICT. Nos EUA existem estes centros em praticamente todas as universidades {centros como o MIT faturam por volta de $ 9bi em transferência de tecnologia} e aqui no BR a pioneira nisso, em fase de definição, é a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e outras Federais com decreto do governo com a criação dos NITE’s (Núcleo de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo).
Ou seja, para que ambos os lados possam começar a se aproximar, diversas mudanças são necessárias, como: mudança de cultura da universidade em querer trabalhar com pesquisas práticas {semana passada fui chamado em uma empresa para conversar sobre investimento em P&D, Lei da Informatica e Lei do Bem e antes de entrar em contato comigo via UFSCar, ligou para 2 universidades renomadas no BR para fazer tal projeto em conjunto e, acreditem se quiser, mas a universidade disse que ia divulgar a possibilidade no mural e SE ALGUM ALUNO se interessasse entraria em contato!!}, melhoria nos órgão de fomento em seus editais beneficiando mais parcerias entre empresas/universidade, maior financiamento privado para pesquisa utilizando a Lei do Bem/Lei da Informática, mudança radical em como a CAPES avalia os cursos de pós-graduação das universidades {patente vale apenas 5% da analise da pós e papers valem 95%}, empresas aderirem o open innovation e buscar parcerias nas ICT’s e maximização desta cooperação mútua entre as partes através de obtenção dos resultados práticos gerando maior ROI para o mercado, sociedade e ICT’s.
Vamos ver as mudanças… amanhã Sorocaba/SP apresenta sua Lei de Inovação Municipal. Vamos ver quantas pessoas comparecem e se interessam, de fato, pelo assunto!! Espero que não tenham apenas executivos mas sim representantes das ICT’s… ou será o contrário!?



